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terça-feira, 19 de outubro de 2010

Limites e possibilidades entre Estado e mercado na sociedade capitalista

O Estado e o mercado são instituições imperfeitas. A idealização, tanto do primeiro quanto do segundo levou a pedir mais do que aquilo que podia oferecer. Além disso, uma conseqüência da idealização tem sido uma perspectiva de confronto permanente entre Estado e mercado na pesquisa econômica por muito tempo.
No entanto, nos últimos anos, a visão de muitos economistas supera o dualismo contraditório entre o Estado e o mercado, e procurando espaços onde a cumplicidade entre o setor público e privado, os quais podem trabalhar juntos para cumprir tarefas que representam, ou seja, áreas onde o Estado e o mercado podem se complementar e caminhar no sentido da eficiência e da equidade ajudará a sociedade avançar em resultado dessa simultânea caminhada.
Em determinadas situações o mercado, movido pelo capitalismo e busca do alto desempenho econômico, que por determinado motivo entra em crise fazendo-se necessária a intervenção do Estado para equilibrar a economia. Em outro caso o Estado não consegue suprir as necessidades da sociedade, proporcionando ao mercado a oportunidade de sua intervenção, proporcionando de maneira particular serviços que deveriam correr por conta do poder público, como por exemplo, segurança, transporte, educação, etc.
Diante disto, pode-se concluir que os Entes (Estado e mercado) são, de certa forma, inseparáveis, havendo apenas a necessidade de estipulação de níveis de interferência entre ambos, a fim de causar uma relação “cordial” entre ambos.

Garrett: um homem de postura conflitante.

O homem é um ser social que interage profundamente com as práticas e costumes de seu tempo e de sua cultura. Por mais que empenhasse em fugir ou evadir dessa estrutura que o cerca, não seria possível uma ruptura ou um afastamento total desse plano, porque o ser humano é uma entidade historicamente construída e, desse modo, buscará encontrar sentidos para sua existência refletidos em sua realidade social.
Almeida Garrett (seu nome de batismo era João Batista da Silva Leitão) teve uma formação social e intelectual marcada por ideologias e sentimentos paradoxais e até mesmo conflitantes. A par dessa evidência, pode-se reparar porque em suas poesias, por exemplo, existe um choque muito forte entre valores morais e desejos pessoais, entre a razão e a emoção, entre o sonho e a realidade, entre a prudência e o prazer, entre o interdito social e o que se aspira fazer empiricamente.
Se pensarmos na sua origem, notamos que está ligada tanto a aristocracia quanto a burguesia portuguesa. Uma se mostra mais próxima de valores tradicionais, moderados e centralizadores, enquanto que a outra promove intentos mais revolucionários, reformistas e descentralizadores.
No âmbito literário, Almeida Garrett teve duas formações relativamente distintas, talvez isso explique, em parte, o “caos” existencial que ele expressa em suas poesias. De um lado, esteve preso à estética neoclássica que, esteticamente, valorizava a razão, a natureza e o homem, sendo que a partir dessa tríade, ambicionava encontrar o fundamento do belo e do verdadeiro. Do outro, adrentou na amálgama do Romantismo quando precisou se refugiar na Inglaterra e, consequentemente, pôs-se a propagar arroubos sentimentais, temperamentais e até idealizadores.

GESTÃO MUNICIPAL ESTRATÉGICA

Tem ocorrido uma mini-revolução com a mundialização e a globalização, forçando gestões transparentes, responsáveis, em um momento que evidencia a diversidade social, a sociedade do conhecimento, democratizante, tecnológica. Em contrapartida, vislumbra-se governanças eficientes, eficazes e democráticas, fruto da descentralização, da consciência e participação social e do desejo da gerência eficiente.
Espera-se também da gestão municipal flexibilidade, criatividade, bom desempenho, inovação, mobilidade, negociação de conflitos e estratégia para antever dificuldades e oportunidades, numa sociedade flutuante, móvel, dinâmica e que exige gerenciamentos consistentes.
Nesse contexto, a Administração Estratégica refere-se ao estabelecimento e manutenção de objetivos e metas para a organização, dando-lhe direcionamentos definidos para atuar de modo a garantir uma boa qualidade na prestação de serviços à sociedade.
Dentro desse patamar estratégico, pontos como formalização das estratégias, análises estratégicas do ambiente, diretrizes organizacionais, formulação das estratégias, implementação da estratégia e controle estratégico são ferramentas que fortalecem e condicionam uma administração que mede todas as suas iniciativas, no intuito de tomar as melhores decisões.
Tais tarefas dão a consistência necessária à Gestão Municipal e/ou Urbana, onde predominam, de acordo com as normas administrativas vigentes, a transparência no uso dos recursos públicos, na medida em que também são aplicadas as estratégias de desenvolvimento urbano, para atender as diversas necessidades dos munícipes.
Assim, a gestão pública, nessa perspectiva, precisa priorizar a descentralização, intersetorialidade, maleabilidade e visão estratégica, com vistas à atuação integrada e sustentável, levando em conta a hierarquia, a otimização dos sistemas de informações, divulgação das ações de uma gestão democrática, equilibrada que também se auto-avalia constantemente para evoluir no seu curso.

IDENTIDADE E PÓS-MODERNISMO

Desde o princípio da humanidade o homem vem tentando descobrir o mundo e a si mesmo com seus dilemas e contradições. Entender a si mesmo não é tarefa fácil visto que a sociedade em que está inserido está sempre em constante transformação.
Com todas as mudanças que ocorreram ao longo de toda história, o homem tornou-se um ser heterogêneo ocupando um espaço também heterogêneo e assumindo diversas identidades no contexto da vida social e cultural. A noção de que teríamos uma identidade individual abriu espaço para a multiplicidade dessa identidade baseada na modernização da sociedade que habitamos.
Dessa maneira, nossa arte permaneceu por um longo tempo a mercê da vontade alheia, tendo que suplantar o orgulho e enxergar sua pátria através dos olhos europeus, como sendo um lugar endêmico, exótico, paradisíaco. Com o passar do tempo, a construção identitária nacional ganhou destaque e pôde representar de forma mais crítica as nossas deficiências do passado, afirmando a relação entre a história e a política, fazendo uma nova leitura de nossas raízes, dos nossos escritos com o intuito não de determinar uma posição pronta e definida, pelo contrário, veio resgatar o passado de forma híbrida, múltipla, provisória e autoconsciente. Dizendo de outro modo, não se trata de acabar com o centro, mas de voltar às atenções para as margens que sempre permaneceram colocadas de lado.
Claro está, a partir do exposto que, há uma total descentralização de nossas categorias de pensamento com o advento do pós-modernismo. A noção de uma identidade única é colocada à prova no sentido de que, nos vários contextos sociais e culturais, o homem assume diversas identidades que estão sempre em constante construção, ou seja, já não é possível uma identidade pronta e definida.
Consequentemente observamos que o pós-modernismo pode ser entendido como uma forma de desestabilizar as tradições e colocar as velhas certezas em jogo. Trata-se de repensar uma série de conceitos e não necessariamente negá-los, tornando-se paradoxal e questionador.
Compreende-se com o fim dessas certezas que as reflexões sobre identidade em nossa literatura ganharam um outro viés. As identidades, antes já constituídas são questionadas no sentido de que surgiram novas identidades, fragmentando o sujeito pós-moderno. Com a descentralização dessa identidade, seu próprio conceito passa a ser questionado, uma vez que o sujeito é deslocado da esfera social e cultural. Tudo isso nos leva a observar uma total crise de identidade no sujeito pós-moderno, pois ele se encontra inserido em uma sociedade fragmentada e seus conceitos de tradição estão sempre sendo questionados.

VULGARIDADE MUSICAL

Até quando teremos que conviver com a vulgarização da arte musical, com conotações claramente imorais, vulgares. Infelizmente, cada dia que passa aumenta a oferta e a procura por gêneros e estilos musicais medíocres e absurdos.
Ultimamente, muitas músicas rompem a barreira da idéia de arte, de cultura, de aprendizado, para entrar no terreno da libertinagem e do escandaloso, onde pouco ou nada se aproveita por se caracterizar mais pelo barulho e pela repetição de palavras e sons, ora indecentes.
Diferentemente disso, a arte musical deve primar pela transmissão de efeitos poéticos, de mensagens positivas, de ensinamentos para a vida, na propagação da alegria, respeito, prazer, amor, paz…
É preciso que eduquemos nossos ouvidos, nossas escolhas, nossa mente, para evitar a banalização da arte musical como sinônimo de sexo, sacanagem, desrespeito e muito mais. Os efeitos disso podem ser terríveis, visto que decorrente também dessa prática banalizadora, não só os adultos, mas muitas crianças absorvem péssimos exemplos para suas vidas, tendo uma visão distorcida sobre arte, sobre sexualidade, sobre as suas próprias escolhas.
Devemos, portanto, evitar o contato e a promoção dessas músicas de apelo sexual, libertinas e sem critérios morais e educativos, muito comuns, principalmente, nos gêneros forró e funk, para dar a música, uma arte tão bela e preciosa, o seu devido valor.

O MUNDO FICCIONAL DAS PALAVRAS

O encontro do homem com o conhecimento e com a experiência passa, irrevogavelmente, por sua capacidade de refletir, analisar, enxergar sutilezas, perceber os múltiplos significados que a linguagem pode oferecer.
As palavras são instrumentos de poder, de modo que precisamos criar um vínculo de proximidade com elas, seja enquanto ouvintes ou falantes. Quevedo y Villegas já havia nos dito que “As palavras são como as moedas: uma vale por muitas, e muitas não valem por uma”. Assim sendo, é preciso nos especializarmos na arte de desvendar o mundo ficcional das palavras para compreendermos melhor o peso e a medida que cada uma assume em determinada situação comunicativa.
Nesse sentido, é valioso sabermos em que contexto as palavras são empregadas na formação de discursos: se com finalidade explicativa, argumentativa, forjadas ou não de literariedade e de figurismo, se indicam conhecimento apurado sobre certo assunto, se expressam a vontade da coletividade ou de apenas um indivíduo, se denotam maturidade, perspicácia, prudência, sabedoria, senso de justiça, ponderamento, identidade regional, amor, ódio, revolta, permissão, dúvida, interdição, preocupação, medo, etc. Até porque, como diz Wittgenstein “os limites de minha própria linguagem significam os limites do meu próprio mundo”.
Mais do que isso, devemos saber quando nossas palavras são compreensíveis, agradáveis, leais, justas, de impacto, de transformação, de cura, ou quando são passíveis de rejeição e de desacordo, salpicadas de sarcasmo ou ironia, vestidas de fantasia e/ou loucura. E devemos também perceber quando as palavras dos outros expressam verdade, afeto, indisposição, desânimo, desejo, confiança, vaidade, bom humor, pessimismo, raiva, incredulidade, etc. E sabemos muitas dessas coisas pelas sutilezas, pistas e vestígios que se revelam através das nossas relações interpessoais.

A GRANDEZA DO HOMEM

A grandeza do homem…
Não se vangloria, pois se dá na simplicidade da vida.

Nem é marca exterior, já que vem de dentro de nós.
Não é fruto do egoísmo, mas do compartilhamento.
Não é sinônimo de poder, mas de desprendimento e ação.

A grandeza…
Certamente é sábia e irradia amor, paz, união e justiça.
É marca daqueles que também erram querendo acertar.
Decerto, é conduzida por uma fé inabalável e otimista.
A grandeza, assim, não escolhe cor ou condição social.

A falsa grandeza do homem…
Subitamente, se camufla, em certos méritos e honrarias.
Configura-se ora na mentira, na omissão e na insensatez.
Aproxima-se, ou conforma-se com o envaidecimento.
Se intitula, se enobrece, e se esquece que ao pó voltará.

A “grandeza” enfim…
Não distingue cor, sexo, naturalidade, ou opção religiosa.
Não é acomodada, pessimista, intolerante ou genocida.
Ela é uma fonte de esperança, de motivação e aprendizado.
Ela não é inata, mas antes e certo, merecida, conquistada.

Já parou para pensar

Por Antonio Roberto Fernandes

Já parou para pensar como os seres humanos são excêntricos, contraditórios e, por vezes, egocêntricos? Ocorreu-lhe, por um momento, que muitas vezes depreendemos grandes esforços para conseguir trivialidades, banalidades? E que nessa correria da vida pós-moderna esquecemo-nos daquilo que é mais importante?
Por um instante, chegou a se questionar que o apego a bens materiais empobrece o indivíduo e está ligado a crise da auto-estima? Que a busca por amigos e relacionamentos virtuais é resultado de relações humanas concretas distorcidas? Que a competitividade e a busca por acúmulo de riquezas levam as pessoas a perderem o real sentido da vida?
Por um instante, chegou a se penguntar o que é mais valioso para você? Não me diga que é seu carro ou sua fortuna! Temos que, continuamente, aprender a alimentar o nosso espírito e o nosso coração para nos tornamos pessoas melhores, ou como dizia Victor Hugo “O espírito se enriquece com aquilo que recebe; o coração com aquilo que dá”.
Pare e pense: Quanto vale o amor sincero, a amizade, a honestidade? O mundo de hoje vem distorcendo esses valores, sendo alguns deles, por muitos, até ridicularizados. Já ouviu alguém dizer: “Ser honesto é coisa pra otário!” ou “Para vencer temos que passar por cima dos outros!”. Devemos reforçar os bons valores da justiça, da paz, do respeito, para uma sociedade e um planeta cada vez melhores.
Pense nisso, ou melhor, divulgue e viva isso!